21 de mar de 2016

Conversa de café: Eu sou a lenda

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Robert Neville não está só...

Há algum tempo atrás havido assistido ao filme, estrelado pelo querido Will Smith, e desconfiei que havia algo de errado. Sabe aquela sensação de incômodo? Desconforto? Quando tem alguma coisa errada e não sabe muito bem o que é?

E nem foi pelo fato da película ter sido protagonizada pelo Will, tudo bem que tenho algumas ressalvas em relação a ele, o fato de ele distorcer alguns roteiros com ótimo potencial me incomoda muito. 

Tive a oportunidade de conhecer o livro durante a folia literária, um evento onde eu e Donna Rita optamos por passar o Carnaval na livraria, a Cultura que fica Paulista para ser mais específico. Sempre ficamos maravilhados com as inúmeras opções de compra, e como resultado voltamos cheios de livros e com a carteira sangrando. E de quebra tem a Geek ali do ladinho, é um verdadeiro paraíso.

E foi na Livraria Cultura onde achei esse simpático livrinho, uma edição de capa dura que saiu pela editora Aleph. Me apaixonei na hora...

Gostei tanto que alguns dias foram o suficiente para conhecer todo aquele mundo criado por Richard Matheson. E, finalmente pude compreender porque o filme é tão ruim. Fiquei aliviado ao saber que não era uma mera perseguição minha contra o pobre Will. O filme é bem ruinzinho, tanto do aspecto filosófico, como do aspecto da ação. Nada funciona.
"Eu sou a lenda" foi lançado pela primeira vez em 1954, foi o pioneiro do apocalipse "zumbi". Na trama, o mundo foi destruído por uma praga, que não sabe ao certo como surgiu, e Neville encontra-se cercado por vampiros que querem o seu sangue. Alguns até tentam o seduzir com a possibilidade de sexo, e isso realmente me incomodou muito. Anos mais tarde, Romero veio a isnpirar-se e criar seu "A noite dos mortos vivos" e todos os enlatados de apocalipses que vieram depois. Alguns bons, outros nem tanto. Matheson foi o pioneiro.

Porém...

Esse não é um livro de vampiros, muito menos retrata a jornada de um herói como aquela vivida pelo Will nas telinhas do cinema. Não há nenhum sacrifício para a salvação da humanidade. A única preocupação de Neville é encontrar um outro ser humano, o pobre coitado não compartilhava muito da ideia de passara os seus últimos dias sozinho, enquanto o mundo está em ruínas. Ou seja, deu merda, a humanidade se lascou toda e não há nenhuma esperança de salvação.

A história é toda sobre uma nova organização social. Durante a narrativa há uma tentativa de criação de uma nova ordem mundial, controlada por vampiros inteligentes. Essa passa a ser a espécie dominante do planeta. Neville é o grande obstáculo.  Uma âncora que ainda trava a evolução da nova ordem. A pedra que estava no caminho.

Um empecilho....

Um implacável caçador de vampiros durante o dia, e um mero refugiado durante a noite. Aliás, as narrativas noturnas são as melhores. Ali, durante a noite, se estabelece a luta pela sanidade. Não deve ser fácil tentar descansar com um monte de mortos vivos gritando seu nome, querendo seu sangue e as vezes até sexo. Como forma de ganhar essa batalha, Neville investe todas as suas forças na procura por mais um ser vivo. E até encontra um cachorro, tudo bem que é a passagem mais triste do livro, mas ali você é capaz de enxergar todo o desespero de alguém que simplesmente procura por um amigo.
" Eu sou a lenda" repete um ciclo quase que infindável de destruição e restauração. Durante o dia Neville toma grande parte de seu tempo a procura de materiais para consertar o que destruído pelos vampiros durante a noite. O mesmo serve para sua sanidade. Durante o dia ele tenta recuperar a sanidade afetada pelas criaturas da noite. Não é fácil ser o único vivo em um mundo dominado por mortos.

Um fenômeno quase que LoveCraftiano... 
O final do livro é exatamente o ponto mais forte, o ápice. Ao se defrontar com os vampiros, Neville consegue identificar-se como o "diferentão". Das janelas de sua cela ele consegue perceber que toda uma nova sociedade estava sendo montada, e ele era o inimigo público a ser sentenciado. Um monstro, um perturbador da ordem, um assassino lendário. E suas palavras fecham o último ato do livro:

"...Robert Neville pousou o olhar sobre as novas pessoas da Terra. Ele sabia que não pertencia a elas; ele sabia que, como os vampiros, ele era a anátema e terror negro a ser destruído. E, de repente, a ideia lhe veio, divertida, mesmo em sua dor.
... Um novo terror nascido da morte, uma nova superstição entrando na fortaleza inexpugnável da eternidade...
...Eu sou a lenda..." 

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Essa não foi uma postagem patrocinada, mas se você se interessou pela obra e de quebra ainda quer ajudar no leite dos gatinhos dessa humilde casa, fique à vontade para dar uma espiadela no submarino, fnac, saraiva, livraria cultura. É só dar uma clicadinha de leve.

Bem, espero que tenham gostado de mais essa conversa de café... 
Um bjo e um abraço..

14 de mar de 2016

Conversa de café: Jurassic Park e a teoria do caos

donna rita - conversa de café - jurassic park - teoria do caos
Bom dia/ Boa tarde/ Boa noite...

Por esses dias eu terminei um dos livros mais clássicos de todos os tempos, pelo menos para aqueles que adoram um pouco de ficção científica e ainda têm uma queda pelos simpáticos dinossauros. Eu mesmo fui uma criança que ficava amarradona nos grandes seres jurássicos, verdadeiros monstros que já dominaram essa terrinha. 

Tem algumas coisas diferentes, alguns personagens foram bem mais trabalhados no livro. Mesmo porque a literatura possibilita trabalhar de uma maneira melhor, se tem mais tempo para trabalhar as personagens e o enredo, já em um filme não. Mas, o objetivo desse post não é aprofundar nas diferentes versões existente entre as mídias. Elaborei esse post, única e exclusivamente, para falar de um aspecto não tão abordado na película. Minha intenção é falar sobre Iam Malcom, mais precisamente sobre a teoria do Caos... 

Iam Malcom é um renomado matemático, com uma pegada mais rock n' roll, convidado para se juntar a inauguração do parque. Diferente dos demais personagens, Iam se preocupa desde o início com o funcionamento da atração, uma vez que não acredita em um mundo onde possa coabitar duas espécies tão distintas. E de fato ele tem razão, o desenvolvimento dos mamíferos somente foi possível graças ao advento do meteoro e extinção dos dinossauros. Doutor Malcom justifica seu ponto de vista usando, até então encarada como uma novidade, a teoria do Caos...

Tem um vídeo bem bacana do canal Nerdologia sobre o Caos e o Efeito Borboleta que usei como fonte. Dá uma passadinha por lá.

Segundo essa teoria, uma mudança muito pequena nas condições iniciais de um sistema complexo pode ter um efeito dramático sobre o sistema ao longo do tempo. Um pouco complicado, mas o site "mistérios do mundo.org" traz a explicação de uma maneira mais simplificada, usando como exemplo uma partida de futebol.

Cada jogador tem um certo conjunto de habilidades quantificáveis na sua posição. Se você fosse dar um valor para todas essas habilidades, igual a um jogo de RPG onde você monta uma ficha, você poderia prever o resultado final da partida com base na soma dos valores, das habilidades dos jogadores dos dois times. Ou melhor ainda, se você ligar o emulador e for disputar uma partida no saudoso Super Star Soccer Deluxe poderá ter um exemplo melhor de quantificação de valores.

donna rita - conversa de café - jurassic park - teoria do caos

No entanto, uma partida de futebol, mesmo que seja no emulador, conta com variáveis. Como por exemplo, o clima, o entrosamento entre os jogadores, a maneira como são treinados e se organizam em campo, se estão em ótima condição física ou não,  ou até mesmo um evento de sorte como um chute certeiro serve para provar o quanto uma partida e imprevisível. Logo, em uma sequência de jogos, todos os resultados seriam possíveis, tornando impossível prever o resultado de todos eles, por mais craque que seja o comentarista.

No caso de Jurassic Park, o próprio parque seria o sistema complexo que com algumas pequenas variáveis, até mesmo micro, puderam possibilitar a desordem de um sistema inteiro, por maior que fosse o controle que Hamond exercia. Ninguém esperava um funcionário canalha, ou que os dinossauros passassem a se reproduzir mesmo sendo fêmeas, ou que a companhia rival iria espionar o evento.

No filme do Spielberg há uma passagem onde Malcom usa outro exemplo interessante para explicar a teoria de uma maneira ainda mais fácil. As imperfeições das mãos de Ellie Sattler, mesmo que invisíveis a olho nú, eram suficientes para produzir um resultado diferente toda a vez em que uma gota d' água tocava a superfície das costas de suas mãos. Que lindo.... 

Viajando ainda mais, a teoria do Caos pode ser usada também para explicar a origem da vida no planeta terra. Bilhões de anos foram necessários para reunir as condições exatas para o grande Big Bang. Mais milhões de anos foram necessário para que a vida evoluísse até existir as condições necessárias para o surgimento do primeiro ancestral do homem. E mais alguns milhões para chegarmos aos dias de hoje.

Pensa bem, só de pensar que o surgimento da vida humana na terra foi fruto de pequenas modificações ocorridas ao longo de milhões de anos,  um verdadeiro milagre.  A nossa existência é fruto do improvável.  Se alguma coisa tivesse dado errada lá atrás, ou simplesmente se o meteoro que apagou os dinossauros tivesse passado um pouco mais longe não estaríamos aqui hoje, tendo essa prazerosa conversa.  Graças ao caos e ao efeito borboleta. 

Viajando mais ainda nessa teoria,  podemos especular a existência de vida em outros planetas,  outras galáxias,  ou até mesmo outros universos.  Deve haver mais algum local que reuniu as condições necessárias para o desenvolvimento de vida inteligente. 

Esse papo todosobre a grandeza do universo serve para provar o quanto somos pequenos, e ainda engatinhando na face do planeta. 

Entrando em um assunto mais delicado.Podemos levar a teoria para um contexto político. 

Se não fossem as medidas sociais populares tomadas por um governo lá atrás hoje não teríamos uma quantidade maior de membros das classes mais baixas se formando em universidades, e trabalhadores invadindo o espaço da tal burguesia. Muito menos teríamos uma multidão de pessoas que saem as ruas manifestar suas insatisfações, sendo elas através de panelas ou cartazes, ou até mesmo camisetas da seleção brasileira. Lá atras o governo ousou demais e agora paga o preço por ter tocado em certos privilegios. Olha o caos e o efeito borboleta aí novamente. Uma simples variável mudando todo um sistema. 

Bom,  acho que me alonguei demais nessa conversa... 

A teoria do caos serve para explicar a imprevisibilidade de eventos complexos.  Mas é uma pena que ninguém tenha dado ouvidos os pobre doutor Malcom.  Se alguém o tivesse escutado não teríamos um bando de dinossauros a solta. 

Um abraço e um bjo... Até a próxima.

8 de mar de 2016

O pequeno Livro dos Livros

   

ou Minha mania de ter tudo registrado.

Não é segredo para ninguém que eu adoro escrever, mesmo não tendo o tempo necessário para escrever o tanto quanto eu gostaria... Acho que esse gosto é uma consequência de também gostar muito de ler. E quando eu falo que gosto de escrever, estou falando de pegar papel e caneta e deixar meus garranchos espalhados por aí. 

Isso tem muito a ver com a minha geração, acredito eu, que só se familiarizou com os computadores, banda larga, wi-fi e smartphones quando estava chegando (no meu caso, passando) da casa dos vinte anos. Até então, eu só escrevia da maneira "arcaica", fosse o que fosse: um trabalho da faculdade ou uma peça de teatro (!). Que fique claro: hoje em dia escrevo muito mais digitando, então não estou fazendo campanha para abolir as máquinas huahauhauhauaha, e sim dizendo que por isso valorizo ainda mais os momentos em que posso manuscrever as coisas.

Tendo todos esses ingredientes em mãos - leitura, escrita, papel, caneta, livros e amor - eu precisava criar algo que atendesse a necessidade que eu tinha de juntar tudo. Um livro que eu pudesse registrar à mão as aventuras literárias de cada dia e lembrar dos detalhes mais importante quando precisasse, como quando fosse escrever uma resenha por exemplo.

A ideia não é nova, muito menos exclusiva. Já existem livros, cadernos, sites e aplicativos feitos para isso e sim, respondendo a sua pergunta, eu já experimentei a maioria deles e acabei não me adaptando por um motivo ou outro. A minha última tentativa foi comprar um desses lançamentos "cool" de livros interativos que me prometia uma "jornada literária diversificada e ousada", "uma verdadeira agenda literária". Achei a ideia ótima, de verdade, mas infelizmente não me adaptei a esse também. A maioria das listas, dicas e outras informações presentes no livro não faziam muito sentido para o meu "estilo de leitora", muito menos me pareciam uma "jornada". Mas o pior nem foi isso, pois poderia relevar e usar somente o que me servisse, o pior é o tipo de "encadernação comercial" que vem sendo feita nesses livros, que impedem que eles abram bem, que impedem que eu escreva de forma confortável nas folhas mais centrais do livro, que impedem que eu goste deles e os use como eu deveria... Você que também é consumidor de livros já deve ter percebido essa dificuldade em alguns exemplares, interativos ou não... E sério, isso me irrita muito! Muito!

Então partindo da minha necessidade, comecei a bolar um livro que eu pudesse gostar e usar. Comecei a desenhar e testar as impressões de páginas lá em setembro de 2015... Fiz dois modelos, um mais clássico e outro mais moderninho... Lá naquela época, fiz o meu protótipo, o primeiro fruto de uma ideia! E com muito carinho enviei para a Grazy, minha amiguxa lá do Parolar Blog. Ela o mostrou aqui e falou de como o está usando aqui.

Foto da Grazy - Parolar Blog
Sei que estou enrolando, mas eu já chego no ponto... 

O primeiro Livro dos livros, versão clássica em tamanho A5 havia nascido, mas antes de lançá-lo para o mundo, eu ia experimentá-lo e eis minha surpresa: mesmo amando o número de linhas e quantidade de informações que ele suporta, achei grande para ficar carregando pra cima e para baixo... Então, lá vamos nós outra vez! Que tal testar um tamanho menor?

Então, já em 2016, retomei o projeto do Livro dos livros com a pegada mais moderninha, mais clean e passou a ser o Pequeno Livro dos Livros! E percebi que essa necessidade não era apenas minha e sendo assim, nada mais justo do que compartilha-lo com o mundo! 

O pequeno Livro dos livros foi feito para atender as necessidades de leitores que precisam registrar suas aventuras literárias, que querem ter as impressões de suas leituras mais recentes guardadas e com o acesso facilitado. Além de ter espaço para algumas listas simples e básicas, como de livros desejados, favoritos e indicados, por exemplo. Se você quer registrar sua passagens favoritas e impressões sobre o que está lendo este é o livro feito para você*.

Ele tem a capa dura, é revestido com papel especial para encadernação na lombada e as capas revestidas com estampa da Papel Craft - esta é a capa da 1ª edição que é limitada então se gostou corre para garantir antes que acabe. São 44 páginas, com espaço para o registro de 40 livros e 4 listas. A costura é aparente na lombada, dando um charme todo especial. É todinho feito à mão e por mim! Está disponível na nossa loja virtual com preço especial de lançamento até o final do mês de março.

E para comemorar este mês que é tão lindo por aqui junto com vocês, além da promoção, está rolando o sorteio de um exemplar do pequeno Livro dos Livros lá no Instagram!!! Para concorrer basta ir até o perfil (@ateliedonnarita), se você ainda não segue (ai, ai, ai), seguir, procurar a foto oficial, (que é igualzinha a essa aí de baixo), indicar dois amiguinhos e pronto, só esperar o resultado que sai no dia 13/03/2016. O ganhador leva pra casa, além do livro, um presente surpresa! Espero sua participação!!!

Espero que tenha gostado, como tudo por aqui, foi feito com carinho pensando em você! Diga aí nos comentários o que você achou, vou adorar saber.

Beijitos
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*É um exemplar pequeno, então se você quer escrever uma resenha mega detalhada, recomendo que adquira o Livro dos livros na sua versão original, em tamanho A5, com bastante espaço para escrever. Confia na tia, vai por mim que você se dá bem! kkkkkkk  

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