3 de fev de 2014

O mistério da precificação - Parte II - A Saga

Imagem: Google imagens

    Sei que já falamos disso por aqui (se você não leu, corre lá pra ler, é só clicar aqui), mas as dúvidas sobre precificação são muitas e não vão se esgotar tão facilmente e nem é essa nossa intenção. Tenho visto por aí, nas andanças internéticas e nas minhas pesquisas de mercado preços muito estranhos e que me levam a crer que muitos colegas não sabem como chegar ao preço de seu trabalho. Vou tentar reunir aqui algumas dicas que EU utilizo para chegar ao preço final das MINHAS peças, nada escrito aqui é verdade absoluta e nem obrigação, só tenho a intenção de compartilhar os caminhos que tomei para chegar a forma como EU precifico meu trabalho.
    Saber calcular o preço de maneira correta é de extrema importância para o seu trabalho e também (pasmem!) para o trabalho dos outros. Para você é importante pois, se você calcular o preço de maneira errada, mais barato do que realmente é, você está tendo prejuízos, o que não é nada bom! E  se está calculando um valor muito acima está perdendo vendas, o que também não é bom. E ainda,  calculando o preço de forma correta você está colaborando com a valorização dos produtos artesanais e fomentando a concorrência saudável, ajudando assim o trabalho de todos nós artesãos! Olha que belezinha ajudar o coleguinha!

    Calcular seu preço é um momento que merece dedicação! 

    Então estude para isso, afinal o futuro do seu empreendimento depende disso. 

    Vamos as dicas práticas: 
    Se você quer realmente ter lucro com seu artesanato, ele deixará de ser um hobby e você deve se planejar da melhor maneira possível para isso. Uma forma muito bacana é procurar o SEBRAE de sua cidade. Senão for possível aqui vai uma dica de ouro e com essa você não tem desculpas para não aprender: o SEBRAE EAD! São mais de 30 cursos GRATUITOS voltados para o microempreendedor. Eu fiz e super recomendo! Basta se matricular e cumprir os prazos. Não adianta, não tem desculpa para não aprender! 
    Outra coisa que devemos nos ater no momento da precificação é a quantidade de material que utilizamos. Não adianta querer cobrar um metro de tecido inteiro em uma peça que você utilizou apenas 30cm ou colocar no preço apenas 30cm quando você usou o metro todo! Então, para quem tem habilidades matemáticas e entende de Excel, nada mais prático que criar planilhas para auxiliar seu trabalho. Como eu não tenho estas habilidades, procurei algum auxílio com o santo Google e encontrei duas planilhas ótimas que uso sempre, deixo vários dados de uso habitual nelas e isso facilita muito meu trabalho.
    A primeira delas está no Blog Chica Bacana que é voltada para a costura, mas que serve muito bem para os meus cálculos de papelão cinza, tecido, papel cartão e aviamentos. Visite o blog (é só clicar no nome do blog para ser direcionad@ para lá), leia o post e baixe a planilha, você vai ver como será útil. 
    A outra ajuda de peso no meu trabalho, veio do queridíssimo Fernando Oliveira, diretor da Revista Artesanato, que disponibilizou uma planilha super completa e um vídeo super didático sobre precificação, que inclui horas de trabalho (sim, você deve cobrar pelas suas horas de trabalho!!!), gastos fixos (luz, telefone, internet...), impostos e o mais legal, margem de lucro! 
    Isso mesmo LUCRO!!!
    O lucro é parte essencial de nosso trabalho, ele é a razão de ser de qualquer negócio!!! Não é feio lucrar, você não estará cometendo nenhum crime e nem se aproveitando dos seus clientes. É com o lucro que você poderá reinvestir no seu negócio e ter perspectiva de crescimento (leia mais sobre isso aqui, pois foi a primeira série de textos sobre precificação que li e foram uma base para fazer todas as pesquisas que fiz e que faço até hoje). 
    Outra coisa que é importante lembrar é que você não tem como colocar preço em uma peça que você nunca fez, então sempre que possível, confeccione uma peça de amostra antes de dizer o preço a seus clientes, seja honesto com eles e com você mesmo. Mas é claro que isso não impede você de trabalhar com uma média de valores dos materiais que você utiliza. Um exemplo que surgiu em uma das discussões produtivas no facebook foi sobre tecido. Você sabe onde costuma comprar e qual a média de valores de seus fornecedores, então trabalhe sobre está média, assim você não perde e pode fazer outras peças com tecidos de diferentes valores.
    Bom, essas são apenas algumas dicas para você aprender precificar ou melhorar aquilo que você já faz. Lembrando repetindo e deixando bem claro pra evitar mi-mi-mi que esse post é baseado na minha experiência, baseado na minha trajetória até aqui e tem o objetivo de auxiliar e responder as dúvidas que vejo por aí. Existem diversas maneiras de calcular o preço dos seus produtos e existem especialistas nestas áreas, o que não é o meu caso. O meu caso é de uma artesã que estuda muito e está o tempo todo tentando fazer o melhor e oferecer o melhor a seus clientes e não f$#&% com os coleguinhas. Então se você ainda não está seguro, visite o SEBRAE ou procure uma consultoria para lhe auxiliar. 
    No mais, se você quiser esclarecer alguma dúvida comigo, pode deixá-la nos comentários. Recadinhos, sugestões e elogios também são bem-vindos!!! 

     Beijitos!

UPDATE: Para os assinantes da EDUK indico o curso oferecido pela Jô Ludwig sobre o assunto e para aqueles que já tem certa experiência, mas precisam de uma ferramenta que facilite a gestão do seu negócio, conheçam o Calcularte.

Comentário(s) pelo Facebook:

8 comentários:

  1. Obrigada Rita.. como eu disse ja havia lido o outro post, vou procurar me aprofundar, mais no assunto.. mto legal suas dicas inclusive sobre as planilhas... e o Sebrae..certissima!!!! Um bjao

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    1. Espero que sejam dicas úteis, que não tive antes, mas que quando encontrei foram de muita serventia para mim! Obrigada pela visita! Bjo

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  2. Bom dia Rita, é muito bom ter que dá dicas, compartilha experiências...Sou do interior e aqui é muito difícil "viver" de artesanato, sabe, as pessoas sempre acham lindo seu trabalho, mas, na hora do preço torcem o nariz. Pelo que li do seu post, sempre acabo cobrando preço mínimo, ou pouco mais, mas mesmo assim tem quem ache caro...
    Bjos

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    1. Olá Juliana,
      Eu também moro no interior, apesar de estar bem próxima de 3 cidades grandes. Sei bem do que você está falando, mas a valorização do seu trabalho tem de começar por você. Agregue valor ao seu produto e trabalhe com a flutuação da sua porcentagem de lucro, assim você não fica no prejuízo e cria uma clientela que dê valor ao seu trabalho.

      Obrigada pela visita!
      Bjo!

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  3. Confesso que tenho "preguiça" de planilhar... :/ Então faço "mais ou menos" e vejo o preço da concorrencia em produtos similares e confesso...cobro de acordo com o cliente! Alguns mais baratos e outros, que sei que podem pagar, um pouco mais caro, nada absurdo, mas até agora tem dado certo...tipo o Extra Supermercado aqui perto de casa é um preço, na periferia é outro...e assim vai...rsrs

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    1. Olá Tildes,
      Precificar é uma tarefa trabalhosa e requer tempo, mas é uma das ações mais importantes de nosso trabalho. Entendo perfeitamente sua colocação sobre a clientela e você pode fazer essa flutuação de valores sobre sua porcentagem de lucro, assim você não estará correndo o risco de ter prejuízos, pois mesmo que esta não seja sua principal fonte de renda, ter prejuízo nunca é bom.
      Depois que você começa a fazer, fica mais fácil, te garanto...

      Obrigada pela visita.

      Bjos!

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  4. Gostei muito de suas dicas. Vou depois me aprofundar e analisar com calma para ver o que posso mudar para melhorar meus cálculos para vendas. Bjs

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    1. Que bom que gostou Yone! Tomara que sejam úteis! Bjo

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