5 de fev de 2014

Fio, linha, cordão ou cordonê encerado? Qual a diferença?


Imagem: Google

    Muito bem, muito bem, bem, bem!!! Hoje resolvi compartilhar com vocês uma dúvida que me corroía profundamente e que cada vez que eu procurava respostas para ela, me confundia cada vez mais. Aí, em uma das conversas super produtivas que sempre temos lá no grupo Encadernação, Cartonagem e tudo mais, as Camilas fofas (Camila Guimarães e Camila Mateus) começaram a esclarecer minhas dúvidas. A partir daí resolvi ir a fonte, procurei as duas empresas que fabricam as linhas que uso, a Setta Linhas e a Danitex e pedi esclarecimentos sobre as diferenças entre as nomenclaturas e características de cada linha e para minha grande surpresa as duas empresas me responderam! 
    Então vamos aos esclarecimentos! 
    (lembrando que esta não é ainda uma postagem patrocinada...rsrsr) 

Imagem: Site Rei do Armarinho

   A Setta me respondeu por contato telefônico de um técnico da empresa. Eu, por pura burrice, confiando na minha cabeça de bagre, não anotei o nome do moço, então é claro, esqueci, mas ele foi super atencioso e me respondeu todas as perguntas. Vou levantar os pontos que achei mais importantes de nossa conversa: 
     O cordonê encerado da Setta foi desenvolvido para a indústria calçadista (fiquei com uma vontade enorme de escrever ”indústria calçadeira”, mas aí vocês iam achar que sou burra, mas não é burrice, gosto de dar novos nomes as coisas...kkkkk), mas ganhou espaço na área do artesanato por ter várias cores e ser super resistente. O fato de ser encerado é para facilitar a costura feitas pela grandes máquinas que confeccionam os sapatos de couro, por isso ela é colante e tem bastante cera. Ela é feita de 100% poliéster e para nós, consumidores varejistas, chegam em tubos (o que nós chamamos de rolo, eles chamam de tubos) de 100 gramas, que equivalem a aproximadamente 150 metros de linha. Sobre a nomenclatura, cordonê seria um sinônimo para linha, já que, segundo o técnico, linhas são todas aquelas que passam por um processo de torção na sua fabricação e fio são aqueles que não passam por esse processo. Ele me deu como exemplo o fio de overloque (que é a máquina que faz acabamento em roupas) que não é torcido, são vários fiozinhos juntos lado a lado e não enroladinhos. Se você nunca viu uma overloque e nem imagina do que eu estou falando, lembre daquele fiozinho da barra da sua camiseta que começa a desfiar e não para nunca mais e que você arranca e continua a desfiar, esse é o tal do fio... O cordonê (linha) encerado só tem de uma espessura que é a 4, a partir daí ela já se torna cordão... Sobre o cordão, ele me esclareceu que são fios trançados que fazem com que eles sejam mais grossos e tenham várias espessuras, mas como a Setta não produz esse tipo de produto ele não teria como me dar maiores esclarecimentos. 

 Imagem: Site Rei do Armarinho

    A Danitex produz os cordões encerados que também são chamados de fio encerado. O contato deles comigo foi via email e foi a Iraci, que me passou algumas informações: 
    O cordão encerado foi criado para a confecção, mas ganhou espaço principalmente na confecção de bijuterias e vem substituindo o barbante em várias técnicas artesanais. O cordão é de 100% algodão e recebe um produto (que ela não disse qual é) para dar brilho e por isso ela não é colante como o cordonê. O cordão encerado da Danitex é fabricado em três espessuras: 05 = 1,00 mm, 001 = 1,50 mm  e 002 = 2,00 mm.
    Bom foram essas as informações que recebi das empresas e que junto com as informações vindas das Camilas finalmente me esclareceram sobre as diferenças e eu posso fazer minhas compras linha e fios de forma mais confiante. Espero que sirva para vocês também!!

    Lembrando que sua visita e seus comentários me deixam muito feliz!

    Beijitos!
  

3 de fev de 2014

O mistério da precificação - Parte II - A Saga

Imagem: Google imagens

    Sei que já falamos disso por aqui (se você não leu, corre lá pra ler, é só clicar aqui), mas as dúvidas sobre precificação são muitas e não vão se esgotar tão facilmente e nem é essa nossa intenção. Tenho visto por aí, nas andanças internéticas e nas minhas pesquisas de mercado preços muito estranhos e que me levam a crer que muitos colegas não sabem como chegar ao preço de seu trabalho. Vou tentar reunir aqui algumas dicas que EU utilizo para chegar ao preço final das MINHAS peças, nada escrito aqui é verdade absoluta e nem obrigação, só tenho a intenção de compartilhar os caminhos que tomei para chegar a forma como EU precifico meu trabalho.
    Saber calcular o preço de maneira correta é de extrema importância para o seu trabalho e também (pasmem!) para o trabalho dos outros. Para você é importante pois, se você calcular o preço de maneira errada, mais barato do que realmente é, você está tendo prejuízos, o que não é nada bom! E  se está calculando um valor muito acima está perdendo vendas, o que também não é bom. E ainda,  calculando o preço de forma correta você está colaborando com a valorização dos produtos artesanais e fomentando a concorrência saudável, ajudando assim o trabalho de todos nós artesãos! Olha que belezinha ajudar o coleguinha!

    Calcular seu preço é um momento que merece dedicação! 

    Então estude para isso, afinal o futuro do seu empreendimento depende disso. 

    Vamos as dicas práticas: 
    Se você quer realmente ter lucro com seu artesanato, ele deixará de ser um hobby e você deve se planejar da melhor maneira possível para isso. Uma forma muito bacana é procurar o SEBRAE de sua cidade. Senão for possível aqui vai uma dica de ouro e com essa você não tem desculpas para não aprender: o SEBRAE EAD! São mais de 30 cursos GRATUITOS voltados para o microempreendedor. Eu fiz e super recomendo! Basta se matricular e cumprir os prazos. Não adianta, não tem desculpa para não aprender! 
    Outra coisa que devemos nos ater no momento da precificação é a quantidade de material que utilizamos. Não adianta querer cobrar um metro de tecido inteiro em uma peça que você utilizou apenas 30cm ou colocar no preço apenas 30cm quando você usou o metro todo! Então, para quem tem habilidades matemáticas e entende de Excel, nada mais prático que criar planilhas para auxiliar seu trabalho. Como eu não tenho estas habilidades, procurei algum auxílio com o santo Google e encontrei duas planilhas ótimas que uso sempre, deixo vários dados de uso habitual nelas e isso facilita muito meu trabalho.
    A primeira delas está no Blog Chica Bacana que é voltada para a costura, mas que serve muito bem para os meus cálculos de papelão cinza, tecido, papel cartão e aviamentos. Visite o blog (é só clicar no nome do blog para ser direcionad@ para lá), leia o post e baixe a planilha, você vai ver como será útil. 
    A outra ajuda de peso no meu trabalho, veio do queridíssimo Fernando Oliveira, diretor da Revista Artesanato, que disponibilizou uma planilha super completa e um vídeo super didático sobre precificação, que inclui horas de trabalho (sim, você deve cobrar pelas suas horas de trabalho!!!), gastos fixos (luz, telefone, internet...), impostos e o mais legal, margem de lucro! 
    Isso mesmo LUCRO!!!
    O lucro é parte essencial de nosso trabalho, ele é a razão de ser de qualquer negócio!!! Não é feio lucrar, você não estará cometendo nenhum crime e nem se aproveitando dos seus clientes. É com o lucro que você poderá reinvestir no seu negócio e ter perspectiva de crescimento (leia mais sobre isso aqui, pois foi a primeira série de textos sobre precificação que li e foram uma base para fazer todas as pesquisas que fiz e que faço até hoje). 
    Outra coisa que é importante lembrar é que você não tem como colocar preço em uma peça que você nunca fez, então sempre que possível, confeccione uma peça de amostra antes de dizer o preço a seus clientes, seja honesto com eles e com você mesmo. Mas é claro que isso não impede você de trabalhar com uma média de valores dos materiais que você utiliza. Um exemplo que surgiu em uma das discussões produtivas no facebook foi sobre tecido. Você sabe onde costuma comprar e qual a média de valores de seus fornecedores, então trabalhe sobre está média, assim você não perde e pode fazer outras peças com tecidos de diferentes valores.
    Bom, essas são apenas algumas dicas para você aprender precificar ou melhorar aquilo que você já faz. Lembrando repetindo e deixando bem claro pra evitar mi-mi-mi que esse post é baseado na minha experiência, baseado na minha trajetória até aqui e tem o objetivo de auxiliar e responder as dúvidas que vejo por aí. Existem diversas maneiras de calcular o preço dos seus produtos e existem especialistas nestas áreas, o que não é o meu caso. O meu caso é de uma artesã que estuda muito e está o tempo todo tentando fazer o melhor e oferecer o melhor a seus clientes e não f$#&% com os coleguinhas. Então se você ainda não está seguro, visite o SEBRAE ou procure uma consultoria para lhe auxiliar. 
    No mais, se você quiser esclarecer alguma dúvida comigo, pode deixá-la nos comentários. Recadinhos, sugestões e elogios também são bem-vindos!!! 

     Beijitos!

UPDATE: Para os assinantes da EDUK indico o curso oferecido pela Jô Ludwig sobre o assunto e para aqueles que já tem certa experiência, mas precisam de uma ferramenta que facilite a gestão do seu negócio, conheçam o Calcularte.


© Donna Rita - 2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: Donna Rita.
Programado por: Seis Mil Milhas.